Elise, 34 anos, restauradora de móveis

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Eu sempre fui muito complexada. Eu venho de uma família estética, onde as mulheres são muito bonitas por várias gerações. Com uma definição muito precisa de elegância: ser magra, delgada, ter “ossos estreitos”, tornozelos minúsculos… Inès de la Fressange em vez de Mae West.

Assim, na adolescência, eu comecei a me retrair, impossível de aceitar meus seios, meus quadris e minha bunda. Acreditando fazer o melhor, minha mãe – ela mesma sublime e extremamente magra – decidiu me ajudar a emagrecer. E aí começou um círculo vicioso: eu apenas gostava de mim muito magra e toda a minha vida eu passei sob controle. Uma verdadeira tendência à anorexia.

Quando eu tinha 18 anos, eu parti para o outro lado do Atlântico para me emancipar, mas eu ganhei 10 kg. Todo mundo me achava melhor assim, exceto eu mesma que me escondia atrás de uniformes que escondiam meu corpo. Eu era bem consciente que agradava, mas achava que era exatamente por saber camuflar. Os olhares dos homens não me eram suficientes.

A revolução veio com a minha primeira gravidez, aos 26 anos. Curiosamente, eu imediatamente deixei pra lá. Por nenhum segundo eu tive medo do meu ventre. Meus seios cresceram três numerações e, pela primeira vez, eu usava vestidos colados. Eu nunca tinha me sentido tão bem assim. Enfim, eu me achava bonita. O clique, de fato, não foi a ideia de me tornar mãe, mas eu tinha a sensação de habitar o meu corpo pela primeira vez, de um sentimento de me apropriar do meu interior. Eu estava fascinada em ver do que eu era capaz de fazer, eu me senti, de repente, interessante e mais bonita… Um renascimento.

Desde então, meu peso estabilizou. Eu adquiri total confiança em mim e muitas coisas mudaram na minha vida: eu me separei do pai dos meus filhos, eu me impus dentro do meu trabalho e obtive uma promoção e comecei a cozinhar… Eu me sinto mais sociável, descontraída. Bem comigo mesma.

O homem com quem eu vivo hoje tem em casa uma outra mulher… Minha nova gestação se desenvolve serenamente. Eu acabei de deixar o meu emprego para me lançar num negócio arriscado, mas mais gratificante para mim. Sem medo. Eu acredito que eu vou saltar todas as barreiras que me impedem de aproveitar as simples alegrias da vida.

Matéria principal: Como se reconciliar com seu corpo

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