A Melancolia de Kirsten Dunst

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Acaba de chegar às telas do Brasil o filme Melancolia, do cineasta dinamarquês Lars Von Trier. Assistir filmes dele não é fácil, basta lembrar de “Dançando no Escuro”, “Dogville”, “Manderlay” e “O Anticristo”. Lars sempre extrai o subterrâneo humano, o que pode provocar, no mínimo, um desconforto.

O filme Melancolia segue a mesma linha, retratando a depressão, a melancolia e a passividade. O filme tem dois momentos: o casamento de Justine (Kirsten Dunst) – uma jovem depressiva, cercada por uma mãe louca, um pai omisso e um chefe cínico – com um rapaz que ela não ama, e a aproximação perigosa do planeta Melancolia com a Terra, gerando medo e pânico nas pessoas.

Bem, aproveitando minhas leituras, eu me deparei com uma interessante entrevista com a atriz principal do filme, Kirsten Dunst, para a revista Madame Figaro.

Estrela dos anos 90 e musa de Sofia Coppola – fez com ela os filmes Virgens Suicidas e Maria Antonieta), Dunst é discreta e atípica, fugindo do formato hollywoodiano. Há dois anos enfrentou uma crise emocional, uma depressão, assunto que ela não gosta de falar, mesmo sendo a melancolia o tema central do filme que estreia.

A atriz critica duramente a postura do diretor do filme Lars Von Trier ao declarar, em Cannes, que simpatizava com Hitler e considera Israel um pé no saco. “Eu fiquei terrivelmente embaraçada, evidentemente. Embaraçada por ele e triste por nós, os atores, que realmente investimos no filme. Mesmo ele tendo se desculpado, seu discurso foi inapropriado, fora de contexto e estúpido. Sim, não poderia ter sido pior.”

Quando a repórter afirme que o diretor do filme Melancolia se inspirou na própria depressão (sim, ele assume ter profundas crises de depressão) e evoca a que ela viveu, a atriz corta e diz: “Eu não quero falar disso. Isso não é um assunto público. O que fica claro é que eu, como atriz, coloquei muito de mim nesse personagem que é totalmente inspirado na experiência de Lars. Francamente, para atuar, você realmente tem que ser absoluto. Na preparação do filme, tivemos que conversar bastante com Lars, que é uma pessoa muito aberta. Eu me sentia completamente confiante com essa filmagem. Foi uma medida necessária, eu não poderia ter feito diferente”.

Ao ser questionada como ela é vista em Hollywood, Dunst é diplomática: “eu penso possuir o que vocês chamam de ‘sensibilidade europeia (seu pai é descendente de alemães e, sua mãe, de suecos), mas ao mesmo tempo eu adorei gravar “Homem Aranha”, essa cultura de lá (americana) é minha também. Em contrapartida, eu sou muito resistente em ser exposta, enquanto que, em Hollywood, se você não está exposta ao público, você não existe. De repente, há um punhado de garotas no mercado, sempre as mesmas, que fazem de tudo para aparecer.

Fechando, ela explica que é uma pessoa honesta e diz o que pensa, “mas eu sou muito consciente do que é apropriado (dizer) e do que não é. Eu jamais seria uma controladora excessiva, primeiramente porque isso exige muito esforço; em seguida porque você se isola completamente. Para mim, o exemplo a seguir é da Julianne Moore: grande atriz, vida privada equilibrada e filmografia impecável”.

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