El Calafate: a cidade dos ventos

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Este post é muito especial para mim e espero conseguir transportar para a escrita a alegria e a emoção de conhecer uma cidade tão especial e bonita.

Vocês se lembram da matéria Dicas para uma viagem longa e bem sucedida que publiquei na terça-feira passada? Então, lá eu mostro o nosso roteiro de viagem. Nossa segunda parada foi nesta minúscula cidade da província de Santa Cruz, instalada na Patagônia argentina, chamada El Calafate.

Eu dei a ela o nome de “cidade dos ventos” porque nunca vi um vento tão forte. O avião treme mesmo. À primeira vista, um estranhamento: um deserto enorme, de cor amarronzada, cheia de crateras. Minha filha disse: “ué, estamos em Marte? Eu não vou sair do avião, não!”.

Vista aérea. Chegando em El Calafate.

Vista aérea. Chegando em El Calafate.

Depois, muitos lagos azuis saem cortando essa aridez toda. Ok, fiquei mais aliviada. Ficamos no Hotel Alto Calafate que fica entre o aeroporto e a cidade. Lindo todo, impressiona pela sua localização no topo de uma colina, sua arquitetura elegante e suas cores alegres. O taxista diz: “vocês vão ficar no hotel da presidenta?”. Pois é, Cristina Kirchner é dona de quatro hotéis e de terras sem fim. Sim, as oligarquias também lá existem.

Hotel Alto Calafate.

Hotel Alto Calafate.

Chegamos ao meio-dia na cidade. Após almoçarmos no próprio hotel – não recomendo, pois é caro e decepcionante -, pegamos o transfer (grátis) oferecido por eles e seguimos para a cidade.

El Calafate é tão pequena que só tem uma rua principal. (Quase) Tudo tá lá: restaurantes, lojas, agências, escolas, igrejas, pequenos hotéis,… São 22 mil habilitantes (censo 2013), quase todos vindos de outras cidades argentinas ou mesmo estrangeiros.

Point da cidade.

Point da cidade.

Depois de circular de uma ponta a outra, passamos o resto da tarde agendando os passeios. Cada empresa faz uma atividade e ninguém se mete no trabalho do outro. Gostei disso, mas, para o turista, é uma canseira daquelas. Poderia ter  feito tudo por uma agência de viagem? Sim, mas iria pagar bem mais.

As atividades não são baratas. A escalada (minitrekking) sobre as geleiras é carinha, custa $ 670, realizada com exclusividade pela empresa Hielo & Aventura. Além da agência, tem que pagar uma taxa de acesso ao Parque Nacional ($ 130), mas no dia e no local. Sei que é necessário pagar pelos ganchos de pés, mas não lembro se este valor inclui o aluguel. Este passeio dura o dia todo e é cansativo pra caramba. Mas também é inesquecível e incrível. Não fiz porque não curto cansar. Meu marido foi e voltou maravilhado, nos mostrou mais de mil fotos e compartilhou dezenas no Facebook. Cansei só de ver 😉 !

Whisky com gelo extraída das geleiras para quem conseguiu chegar ao topo.

Whisky com gelo extraído das geleiras para quem conseguiu chegar ao topo.

O grupo.

O grupo.

Ah, leve lanche! Não tem restaurante durante o percurso. Eles fazem uma parada de duas horas na área da passarela, momento certo para comer. Vale informar que esta atividade é suspensa de 11 de junho a 4 de agosto.

Informação importante: se você for mesmo fazer o minitrekking, agende logo ao chegar à cidade porque a empresa restringe o passeio para 20 pessoas por dia.

Bom, enquanto Irineu foi passear sobre o gelo, eu e Laís fomos para o deserto. Fizemos o passeio 4×4 pela empresa Kau Calafate Extremo. Preço excelente! Minha filha só pagou uma pequena taxa e ainda ofereceram almoço, incluso no valor. O guia, um fofo sem igual, falava inglês fluente e tinha um português muito bom. Por sinal, apaixonado pelo nosso país, vestia uma camiseta com os dizeres “Quando pinta uma vontade louca de trabalhar, procuro uma rede e espero a vontade passar – Florianópolis/SC – Brasil”. hahahaha. Conhece o estado do Rio de Janeiro como a palma de sua mão e cita alguns lugares do interior paulista. Como assim? E ainda me ofereceu uma comida vegetariana (parecia uma pizza de espinafre, mas não era) saborosa. Incrível as aptidões desse rapaz e inacreditável foi esquecer seu nome.

Fomos presenteadas com um guia mega especial. Olha aí a camiseta que eu falei!

Fomos presenteadas com um guia mega especial. Olha aí a camiseta que eu falei!

O passeio, que durou aproximadamente 4 horas, percorreu o Cero Hyuliche até seu topo. Dá pra ver a cidade inteira e alguns lagos. Venta, venta e venta por demais. Conselho do guia: “coma. Precisamos ser mais fortes que a natureza para sobrevivermos aqui”. Anotado. Meu conselho: leve um casaco potente para suportar vento e frio. Estávamos no pico do verão e a temperatura lá em cima é bem baixa e o vento atravessa casacos e faz manobras (sensação).

No ponto mais alto da colina. Pensei que fosse voar. Ao fundo, a cidade (à direita) e um dos lagos (à esquerda)

No ponto mais alto da colina. Pensei que fosse voar. Ao fundo, a cidade (à direita) e um dos lagos (à esquerda)

Depois do passeio, quis visitar o Museu do Gelo ou Glaciarium. Tem transporte grátis saindo do centro da cidade, mas minha filha é ainda mais preguiçosa que eu e não quis ir. É imperdível? Não, mas já que estava lá… O museu explica como as geleiras se formaram, demonstra o período da era do gelo e tal. Nos disseram que tem um café-bar todo de gelo. Para entrar tem que estar mega-agasalhado.

No dia seguinte fizemos o Todo Glaciares para conhecer o Glacial Perito Moreno e outras geleiras pela Solo Patagonia. Além da cobrança do valor do passeio ($ 720, por pessoa, embora até 12 anos seja grátis), paga-se à parte o transporte de ônibus pela empresa Clamajucar ($ 80,00) e a entrada de acesso ao Parque Nacional ($ 130, mas criança até 13 anos não paga). Leve comida porque a minúscula lanchonete do catamarã não atende a demanda, vende produtos intragáveis e é cara pra caramba. Também carregue com você algo para fazer, como um som, livros, jogos. Após a visita às geleiras, são duas horas de tédio puro. Um casaco de frio é necessário. Quanto mais próximo das geleiras, maior a queda da temperatura.

Roteiro do passeio.

Roteiro do passeio.

As geleiras.

As geleiras.

O passeio termina por volta das 14h30/15h. Sobra um bom tempo para desbravar a pequena cidade e almoçar bem. O prato típico é o carneiro patagônico, mas, como não como carne,… Ver o bichinho escancarado na fornalha me chocou. hahahaha. Para quem não gosta de carne, a (boa) sugestão é o restaurante de massas La Cocina. Cheeeeeeeeeeeeeio de brasileiros.

Restaurante de massas.

Restaurante de massas.

Por sinal, fiquem sabendo: mais da metade dos turistas que vão para El Calafate são brasileiros! No verão, então, dominam. Mas, apesar do número, não há muita boa vontade dos atendentes em compreender nossa língua e facilitar a comunicação.

Depois de comer, aproveitei para pesquisar o artesanato local que é realmente bom. O próximo post é exatamente como eles transformam os recursos naturais em arte. Achei o trabalho deles acima da média do que é ofertado aos turistas em outras cidades e países. Há qualidade, criatividade e bom preço.

Uma dica bacana: eles têm atendimento direcionado aos gays. As lojas que oferecem produtos e serviços para eles colocam um adesivo na porta ou na vitrine.

Adesivo que identifica quando o estabelecimento oferece produtos e serviços exclusivos para gays.

Adesivo que identifica quando o estabelecimento oferece produtos e serviços exclusivos para o público gays.

Fiz tudo? Não. Faltaram alguns passeios, como a visita às geleiras pela passarela, a viagem de carro 4×4 (fiz somente o passeio ao Cerro Huyliche), uma estância, o minitrekking e o museu. Eu acrescentaria, pelo menos, mais dois dias na cidade e mudaria, com certeza, de hotel. Apesar de lindo, fica muito longe da cidade, dificultando acessos.

Mais dica: pagar caro para ficar num hotel-spa, como eu paguei, não vale por muitos motivos. Além da distância da cidade e a restrição de horários do transfer, o café é tão ordinário quanto de uma pousada simples. Tudo é artificial – sucos de caixinha, frutas enlatadas, pão seco e duro, café ruim – porque a cidade não produz nada.

Restaurante do hotel. Lindo, né? Mas a comida... decepcionante.

Restaurante do hotel. Lindo, né? Mas a comida… decepcionante.

Atenção: para as atividades mais radicais é bom estar com boa preparação física. Exige esforço mesmo. Já comecei minhas atividades porque decidi que no próximo ano estarei lá novamente.

Fui seduzida por esta pequena cidade cheia de contrastes e surpresas. Parti e não vejo a hora de voltar.

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